domingo, 31 de agosto de 2025

E se fosse possível?

 


Um povo querido, jamais será vencido

 

E se fosse possível:

a cobrança de um imposto sobre mágoas e ressentimentos,

a condenação e a prisão de quem se atrevesse contra a moral alheia,

a decretação de falência total do ódio,

a fixação de um tipo de tornozeleira no coração para quem não perdoa,

a instalação de uma CPI (Caráter, Paciência e Imparcialidade) para investigar e reprimir todas as nossas mazelas,

a normatização da felicidade,

a regulamentação da paixão,

a revogação definitiva do orgulho,

uma anistia ampla, geral e irrestrita dos nossos pecados,

uma autorização de  busca e apreensão dos maus pensamentos,

uma censura rigorosa à inveja e ao mau humor,

uma decisão judicial cancelando todas as nossas angústias e rancores,

uma determinação obrigando as mídias a só publicarem verdades,

uma greve geral exigindo o fim das intolerâncias,

uma lei que obrigasse todos a se respeitarem mutuamente,

uma norma que coibisse definitivamente a desonestidade,

uma organização popular visando o fim da ingratidão,

uma petição de impeachment pelo fim do egoísmo,

uma portaria proibindo por completo a falsidade,

uma sentença judicial extinguindo a arrogância,

uma tarifa (um tarifaço, rs) sobre a vaidade,

uma taxação sobre medo,

uma tributação direta sobre a saudade.

Seria então, com certeza, um “fora tristeza e alegria já”.


sábado, 26 de julho de 2025

Medo

 



Medo de

Eu só tenho medo de ter medo.

 

Tem gente que tem medo de adoecer,

tem gente que tem medo de arrepender,

tem gente que tem medo de ceder,

tem gente que tem medo de condescender,

tem gente que tem medo de constranger,

tem gente que tem medo de contradizer,

tem gente que tem medo de descrer,

tem gente que tem medo de desfalecer,

tem gente que tem medo de embravecer,

tem gente que tem medo de empobrecer,

tem gente que tem medo de empreender,

tem gente que tem medo de emudecer,

tem gente que tem medo de endoidecer,

tem gente que tem medo de enfurecer,

tem gente que tem medo de ensurdecer,

tem gente que tem medo de envelhecer,

tem gente que tem medo de escrever,

tem gente que tem medo de esmaecer,

tem gente que tem medo de predizer,

tem gente que tem medo de prometer,

tem gente que tem medo de sofrer,

tem gente que tem medo de transcender,

tem gente que tem medo de se aborrecer,

tem gente que tem medo de se comprometer,

tem gente que tem medo de se corromper,

tem gente que tem medo de se enlouquecer,

tem gente que tem medo de se ensurdecer,

tem gente que tem medo de se esmorecer,

tem gente que tem medo de se exceder,

tem gente que tem medo de se intrometer,

tem gente que tem medo de se ofender,

tem gente que tem medo de se oferecer,

tem gente que tem medo de se perverter,

tem gente que tem medo de se prevalecer,

tem gente que tem medo de se promover,

tem gente que tem medo de se submeter,

tem gente que tem medo de se transcender e de

tem gente que tem medo de se envolver mas,

o medo da maioria das pessoas é o medo de morrer.

 

 

 


Ferramental

 


Ferramental

 

E se se fabricassem um tipo de:

Alicate que arrancasse mágoas dos nossos corações,

Chaves de fenda que desapertassem nossas dores,

Enxadas que carpissem nossas injustiças,

Facões que cortassem nossos vícios,

Formões que aparassem nossas tristezas,

Lixadeiras que desbastassem nossas ansiedades,

Machado que rachasse nossos erros,

Chaves estrias que afrouxassem nossas angústias,

Foices que ceifassem nossos ciúmes,

Picaretas que quebrassem nossos preconceitos,

Marretas que demolissem nossos rancores,

Martelos que pregassem no passado nossos egoísmos,

Pás que atirassem nossos remorsos ao fundo do mar,

Limas que aplainassem nossas intolerâncias,

Torqueses que extraíssem nossas vaidades,

Podões que aparassem nossas ingratidões,

Rastelos que rastelassem nossos medos,

Roçadeiras que roçassem nossos orgulhos,

Serrotes que serrassem nossas falhas,

Tesourões que podassem nossas desilusões,

Com certeza nossas vidas seriam bem melhores.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Mercado Central

 Mercado Central 


No Mercado Central vende-se de tudo, dizem os belo-horizontinos.

Lá você pode comprar queijos, doces, frutas e diversos cereais.

O lugar é bem frequentado por jovens, velhos, meninas e meninos

e também pelos turistas que vão à cata de trabalhos artesanais.

 

No Mercado Central você encontra uma variedade de artigos finos,

objetos feitos de bronze, alumínio, palha, madeiras e muito mais;

alface, tomate, cebola, aspargo, repolho, jiló, berinjela e pepinos,

objetos de decoração, produtos de embalagens e ervas medicinais.

 

No Mercado Central você adquire canários e animais domésticos,

aparelhos de jantar, jogos de chá, flores e muitos tipos de panela.

Tem casa lotérica, agência bancária e uma loja só de cosméticos.

 

No Mercado Central tem quase tudo. Tem as cachaças divinais...

Só uma coisa não encontrei por lá. Um sorriso igual de Gabriela

Mas aí também, por favor! Você não acha que era querer demais?

 


sábado, 29 de março de 2025

Não é soneto

 


Não é soneto

 

Hoje vou contar-lhe a história de Leonora da Rocha Bicalho,

moça legal e simples. Daquelas que não se acham à venda.

Mas tinha um defeito: usava e abusava de um penduricalho.

Tanto é verdade, que acabou ganhando o apelido de Penda.

 

Sua mãe, dona Adalgisa, advertia-a com seu cabelo grisalho:

“filha - nada contra este seu gosto - espero que me entenda,

mas você está parecendo uma extraterrestre, um espantalho;

assim, Deus que nos livre, mas você irá ficar de encomenda”

 

E foi pensando em evitar desgostos, dissabores e atrapalho,

que “Penda” decidiu mudar-se da cidade para uma fazenda,

deixando para trás um amor, ou melhor: o seu quebra-galho.

 

Zé Luiz, conhecido por muitos como Senhor Luiz da Venda,

não gostava de pegar no batente - não gostava do trabalho.

Queria ofendê-lo, era só dá-lo uma simples chave de fenda.

 

 

Mas o Luiz gostava muito de Penda. Gostava pra carvalho.

Tanto que a mudança dela atrapalhou muito a sua azienda

e quase que o levou para os vícios da bebida e do baralho.

Foi por pouco que ele não perdeu sua única fonte de renda.

 

O tempo passou e Sr. Luiz tornou-se um grande paspalho;

alimentava-se mal e poucas vezes saía lá de sua vivenda.

Aquele homenzarrão cara de menino, tresloucado pirralho,

agora parecia mais uma galinha de macumba em oferenda.

 

Um dia, porém, Penda teve de retornar pela mesma senda;

mas sua volta veio a constituir-se num verdadeiro ato falho.

Pois todos sabiam que o soneto ia ficar pior que a emenda

 

e no dia vinte e dois de setembro, dia marcado na agenda,

ela reapareceu descabelada, atrapalhada e em frangalho.

E Luiz vendo-a naquele estado só exclamou: és tu Penda!

 

 


Saudade e esperança

 


Saudade e esperança

 

A saudade não é minha companheira,

Tampouco a esperança é minha rival

Se hoje, nada faço para a primeira,

á segunda eu nunca desejei o mal.

 

As duas, cada qual a sua maneira,

vêm impondo-me um sofrer sem igual;

por vezes, acho até que é brincadeira,

o modo de elas serem assim tão informal.

 

Mas agora, devo confessar-lhe que cansei,

e que decidi expulsá-las da minha mente.

Que desocupem também meu coração!

 

Preciso me livrar deste indefectível tormento.

Se quiserem, que vão à procura doutra gente.

Chegou a hora de dar um basta nesta minha paixão.

 


Poeta

 


Poeta

 

Eu quis homenagear poetas, trovadores e sonetistas

que estão sempre a espargirem emoções pelos ares.

São pessoas simples e, porque não, também artistas

que vivem a modelarem versos por todos os lugares.

 

Seus trabalhos são engendrados em foros intimistas

com intuições e características próprias e singulares

Não vão à cata de elogios por parte de especialistas

tampouco reconhecimento em escolas ou em bares. 

 

Deus abençoe e ilumine os poetas do mundo inteiro.

E, que o grupo dos anônimos seja atendido primeiro

Dê a eles inspiração, a paz e o amor entre familiares.

 

Um poeta é, antes de tudo, um grande companheiro,

Um amigo fiel nas horas difíceis, um grande parceiro

Foi começar escrever isto para me lembrar de Edy Soares.