Um povo querido, jamais será vencido
E se fosse possível:
a cobrança de um imposto sobre mágoas e ressentimentos,
a condenação e a prisão de quem se atrevesse contra a moral
alheia,
a decretação de falência total do ódio,
a fixação de um tipo de tornozeleira no coração para quem
não perdoa,
a instalação de uma CPI (Caráter, Paciência e
Imparcialidade) para investigar e reprimir todas as nossas mazelas,
a normatização da felicidade,
a regulamentação da paixão,
a revogação definitiva do orgulho,
uma anistia ampla, geral e irrestrita dos nossos pecados,
uma autorização de
busca e apreensão dos maus pensamentos,
uma censura rigorosa à inveja e ao mau humor,
uma decisão judicial cancelando todas as nossas angústias e
rancores,
uma determinação obrigando as mídias a só publicarem
verdades,
uma greve geral exigindo o fim das intolerâncias,
uma lei que obrigasse todos a se respeitarem mutuamente,
uma norma que coibisse definitivamente a desonestidade,
uma organização popular visando o fim da ingratidão,
uma petição de impeachment pelo fim do egoísmo,
uma portaria proibindo por completo a falsidade,
uma sentença judicial extinguindo a arrogância,
uma tarifa (um tarifaço, rs) sobre a vaidade,
uma taxação sobre medo,
uma tributação direta sobre a saudade.
Seria então, com certeza, um “fora tristeza e alegria já”.